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Excesso de chuvas prejudica qualidade do trigo e da cevada

Agronegócio

25 de outubro de 2021 19:15

Fernando Rogala


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Choveu em metade dos dias de outubro na região dos Campos Gerais. Média mensal é 150 milímetros, e já choveu 297 milímetros Foto: Gilson Abreu/AEN
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Umidade no momento da colheita, o mais sensível para os cultivos, trouxe perda na qualidade para um percentual produzido, inviabilizando o uso desses produtos para seus principais fins


O clima chuvoso das últimas semanas está impactando diretamente na qualidade dos cultivares de inverno ainda não colhidos na região dos Campos Gerais. Se por um lado as chuvas são necessárias para encher os reservatórios, escassos de água diante de meses de seca, e benéficas para quem fez o plantio dos cultivares de verão (soja, milho e feijão), a umidade não é nada bem-vinda no trigo e na cevada prestes a serem colhidos. Embora não haja uma grande quebra na produção, um percentual relativamente alto desses produtos não conseguirão ser destinados para seus principais propósitos: a produção de cerveja, no caso da cevada, e para a panificação, no caso do trigo.

Luiz Alberto Vantroba, economista do núcleo regional do Departamento de Economia Rural (Deral) em Ponta Grossa, vinculado à Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (SEAB) explica que desses 25 dias de outubro, choveu na metade deles. “Em média, choveu em 12 ou 13 dias. E não foi em sequência, foi intercalado, melhorou um ou dois dias, aí choveu dois, e assim por diante. Não teve longos períodos de sol”, explicou. Além disso, nestes 25 dias já choveu quase o dobro do previsto para o mês inteiro. “O normal para o mês de outubro na região é chover 150 milímetros. E já estamos com um acumulado de 297 milímetros, na média”, completou o especialista.

Tanto no trigo, quanto especialmente na cevada, o momento mais sensível desses cultivares é no momento da colheita. Qualquer excesso de chuva impacta na qualidade e, consequentemente, no preço. Hoje, explica Vantroba, 70% da cevada está colhida na região. Seu rendimento está dentro do esperado, na casa dos 3,8 mil quilos por hectare. “Mas o que está pegando é a qualidade. Entre 30% e 40% do que foi colhido, chegando a até 50% em alguns casos, não está passando para produção de malte, por não estar atingindo os itens exigidos pela indústria, que são o PH, a germinação e a proteína”, informa Vantroba. A esse percentual, resta outra destinação, com remuneração menor ao produtor. “Provavelmente vai para a produção de ração. Os produtores estão procurando uma viabilidade melhor para esse produto”.

No caso do trigo, há três classificações: tipo 1, tipo 2 e tipo 3. “Até o momento está dando 40% de produção no tipo 1, e o restante dividido em tipo 2 e tipo 3, 30% em média para cada um. O trigo 1 é destinado para panificação. O tipo 2 também vai para a indústria alimentícia, mas com preço menor”, informa Vantroba. A produtividade esperada está em torno de 3,5 mil a 3,6 mil quilos por hectare, o que não está ruim, explica Vantroba, tendo em vista os períodos superados de estiagem e geada. A estimativa de colheita para o trigo é de 330 mil toneladas, ao passo que da cevada é de 57 mil toneladas, com previsão de encerramento da retirada desses produtos dos campos até 10 de novembro.

 

Cultivares de verão apresentam bom desenvolvimento

O feijão e o milho estão quase 100% plantados. No feijão, há o plantio de 26,8 mil hectares, com previsão de colheita de 2,3 mil quilos por hectare, ao passo que no milho e área cresceu cerca de 15%, para 81,7 mil hectares, com previsão de colheita de 11 mil quilos por hectare. Ambos estão em boas condições e estão, em grande parte, em desenvolvimento vegetativo. No caso da soja, o plantio está atrasado em relação ao ano anterior: devido à chuva, que impende a entrada de máquinas no campo, apenas 25% dos 540 mil hectares foram plantados “Mas ainda não chega a ser muito preocupante, porque os produtores tem até o dia 20 de novembro para plantar dentro da janela considerada boa para o plantio”, conclui Vantroba.

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