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Rodovias da região são referência no transporte da safra

Campos Gerais

23 de janeiro de 2021 08:00

Fernando Rogala


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Complexo rodoviário da BR-376, BR-277 e PR-151 está entre os maiores corredores de riquezas de toda a América Latina

Quando se fala em economia no Paraná é impossível não associar o agronegócio como uma raiz estruturante da geração de emprego e riquezas. Dos campos dos 399 municípios, que geraram mais de R$ 100 bilhões em riquezas em 2020, saem a produção líder nacional em suínos, frango e trigo; e a segunda maior produção do país de milho, de feijão e de leite, além da segunda de soja, que é o principal produto produzido e exportado pelo Brasil. Mas o Estado não é só um grande produtor: pelas estradas do Paraná também passam dezenas de milhares de toneladas todos os dias, de produtos vindos de diversos estados, especialmente em direção ao porto de Paranaguá. E a maior parte dessa movimentação do agronegócio passa pelas estradas dos Campos Gerais, seja pela PR-151, BR-376 ou BR-277, que formam, se não o maior, um dos maiores corredores de exportação agrícola via terrestre da América Latina.

São as mais diversas cargas possíveis transportadas, desde matéria prima para indústrias ou construção civil, a produtos prontos para serem vendidos em mercados ou lojas. Porém, esse tipo de movimentação representa um mínimo frente ao setor agro: de acordo com a diretora-presidente da CCR RodoNorte, a ponta-grossense Thais Labre, 77% do tráfego de caminhões corresponde à movimentação do agronegócio. “Nossas rodovias são preciosos corredores para o escoamento das grandes riquezas do Paraná e do Brasil. Ano passado, o agronegócio representou mais de 21% do PIB nacional, e foi um grande ‘colchão’ amortecedor da crise”, informou ela, acrescentando que em função do ano de exportações recordes do segmento, a concessionária registrou um crescimento de 5% em números de eixos que passaram pelas rodovias, em comparação com 2019.

A soja foi principal produto movimentado pelas estradas. Das 18,9 milhões de toneladas do grão e farelo de soja exportados pelos portos do Paraná, 14 milhões de toneladas foram originados no Estado. Do total de granéis exportados, 19,1 milhões de toneladas saíram do Paraná, dos quais, 2,1 milhões, ou 11% do total, partiram de Ponta Grossa. E o detalhe é que, entre os modais, 78% de toda soja exportada chegou pelas estradas, nos caminhões. “Depois do Paraná, os principais estados de origem são Mato Grosso e Goiás, então essas cargas descem e passam pela BR-376. E outro fato interessante é que Paranaguá tem o maior volume de importação de fertilizantes do Brasil. Portanto, é um corredor importante no escoamento do principal insumo para garantir a boa produção nacional nas próximas safras”, destaca Thais.

Diante desse contexto, a presidente da CCR RodoNorte reforça a necessidade de se ter um corredor administrado de forma constante. De acordo com ela, além da infraestrutura adequada, é preciso garantir todos os serviços de atendimento, o suporte para esse escoamento, seja com a manutenção das pistas ou os serviços ofertados, como os postos de atendimento aos motoristas e a ágil atuação em caso de acidentes, com a operação dos veículos de inspeção, guinchos e ambulâncias. “Precisamos garantir que os caminhões que saem da linha de produção cheguem ao Porto cumprindo suas agendas com segurança. Porque mesmo que haja intercorrências, os motoristas precisam estar salvaguardados e a rodovia não pode parar, o tráfego precisa fluir, a economia precisa continuar crescendo”, recorda, lembrando que em 2020, mais de 15 mil atendimentos a caminhões foram realizados.

 

Pavimento requer manutenção contínua

Uma necessidade constante é o cuidado com o pavimento desse corredor, que segundo Thais, necessita ser monitorado como nenhum outro, por ser um dos mais demandados do país em peso e volume. “É fundamental a administração da rodovia, 24h por dia, 365 dias por ano. Hoje, por exemplo, além das obras de ampliação que estão em andamento, contamos com 19 equipes exclusivas para conservação do sistema, que trabalham na preservação e correção dos elementos rodoviários, tais como placas de sinalização, sistema de drenagem, roçada, cercas, pavimento, além dos demais. O Paraná é um estado incrível, de muita produção e de um povo trabalhador, e merece ter rodovias bem atendidas”.

 

Modais são estruturados para ampliar movimentação

Os portos do Paraná fecharam o ano com um recorde de 57,3 milhões de toneladas movimentadas. Das 21 milhões de toneladas importadas, 9,86 milhões foram fertilizantes. O diretor-presidente da empresa pública Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, ressalta a importância dos Campos Gerais para os terminais. “Ponta Grossa é privilegiada com um entroncamento onde rodovias chegam e ferrovias passam, além da própria pujança do setor do agronegócio. Por isso, o porto também recebe investimentos para estar estruturado para responder à altura”, diz. Segundo Garcia, o planejamento estratégico prevê que os portos do Paraná movimentem 80 milhões de toneladas até 2037. “Porém, isso não será possível se a infraestrutura não for adequada. Por isso, o Porto está sendo estruturado, e há uma remodelação do corredor de exportações. O programa integrado do Governo do Estado, com o Governador Ratinho Junior e o secretário Sandro Alex, preparará as rodovias e ferrovias para receber investimentos e facilitar a cadência dos caminhões e ramal ferroviário, para o Paraná ter a eficiência que merece”.

 

Infraestrutura assegura desenvolvimento econômico

A Região dos Campos Gerais passou por uma grande transformação nos últimos 10 anos, sediando mais de R$ 20 bilhões em investimentos industriais. Ponta Grossa, Ortigueira, Castro, Piraí do Sul, Ipiranga, Palmeira, entre inúmeras outras cidades, receberam empresas dos mais variados setores, diversificando sua economia, resultando em melhorias na qualidade de vida. Investimentos industriais geram emprego e refletem em vagas indiretas, seja de fornecedores ou de serviços, além da formação de mão de obra qualificada para determinadas posições.

Esse desenvolvimento não aconteceu pelo mero acaso. Para a diretora-presidente da CCR RodoNorte, toda infraestrutura rodoviária dos Campos Gerais contribuiu de forma importante para despontar aos olhos dos executivos. “Esse ‘boom’ industrial que a região tem recebido é muito por conta da infraestrutura que temos hoje na nossa região. As grandes empresas que Ponta Grossa recebeu não se instalam em um lugar sem a confirmação de uma minuciosa análise de logística. E isso vale para a Ambev, DAF, para a Tatra e a Nissin, e outras tantas importantes. Então essas empresas vêm para cá avaliando essa capacidade, a boa infraestrutura que a região tem para chegar matéria prima, e boa estrutura para escoar”, frisa Thais, lembrando que hoje a CCR RodoNorte conta com mais de 16 frentes de obras em estradas, na construção de 40 quilômetros de duplicação entre Tibagi e Ortigueira, e na construção de oito intersecções, que irão melhorar as condições logísticas e tornar a região ainda mais competitiva para o futuro.

Thais estende essa visão também em âmbito estadual, na contribuição da infraestrutura para garantir o desenvolvimento da economia paranaense. “Não dá para imaginar o crescimento do Paraná sem o cuidado com esse corredor, com o maior entroncamento rodoferroviário do país. Não seria possível crescer nos índices que hoje está crescendo: é fundamental produzir mais, mas também ter condições de escoar essa produção, seja em infraestrutura ou em atendimento”, afirma. Por esse motivo, destaca o quão importante é que, ao final do contrato de concessão, em novembro desse ano, que haja a imediata continuidade da operação dos trechos já no dia seguinte. “É fundamental recomeçar uma história com experiencia, e ciente da importância desse corredor para o Paraná”, finaliza.           



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