PR está no limite de medicamentos para intubação

Cotidiano

22 de julho de 2020 15:30

Dhiego Tchmolo


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Secretário revelou que o uso dos medicamentos para a Covid-19, teve um aumento de demanda de 500% em todo estado Foto: Divulgação/Assessoria AERP
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Declaração foi do secretário de Estado, Beto Preto, que sinalizou problema na Macrorregião Leste

“Apesar de termos os leitos, neste momento, faltam os medicamentos para entubação”, a fala de Beto Preto, Secretário de Saúde do Paraná (SESA), é um reflexo da situação do estado em relação ao novo coronavírus. Esta revelação e outras foram dadas em entrevista ao programa Em Pauta, da Associação de Emissoras de Radiodifusão do Paraná (AERP), na manhã desta terça-feira (22). Segundo o secretário, a Macrorregião Leste do estado, que vai da cidade de Paranaguá, passa por Curitiba e Região Metropolitana, e segue até o município de Guarapuava, está em uma situação crítica.

Beto Preto revelou que o uso dos medicamentos para a Covid-19, teve um aumento de demanda de 500% em todo estado. No entanto, o secretário revelou que a falta dos remédios para entubação é uma realidade que o mundo inteiro está enfrentando.

“O estoque de medicamentos aqui no Paraná era previsto para seis meses. Tudo foi consumido em 35 dias. É importante entender isto. Este contexto está passando de uma situação de falta para uma situação de calamidade pública. Estamos no limite para encontrar medicamentos, e consequentemente, temos dificuldade de manter os pacientes entubados e sedados”, frisou.

O secretário disse que apesar dos esforços do Governo Federal para comprar mais remédios no exterior, o estoque atual no estado é para mais três dias e quatro dias. Beto frisou que a situação é urgente e não apenas por este motivo. “Está difícil para localizar o médico, a enfermeira, o especialista para atuar em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), por exemplo. Eu sou obrigado a dizer isto, com muito respeito a todos. Nós conseguimos ventiladores, profissionais, porque os hospitais particulares nos ajudaram até agora”, revelou.

Diante da situação, o secretário aproveitou o momento para dar um recado a todos os paranaenses. “Vamos nos cuidar. Para não ficarmos doentes, para não precisar ir ao hospital. Apesar de nós temos os leitos, neste momento, faltam os medicamentos”, destacou Beto.

Quarentena Restritiva

Nesta terça-feira (22), o estado registou o recorde do número de mortes: 58. Beto afirmou que conforme o isolamento social diminuiu a curva e, quando as atividades econômicas foram flexibilizadas, a velocidade de contagio ficou maior. “E o que era para finalizar em quatro meses, pode se estender para seis, sete meses. Neste momento, nós continuamos em subida, porém, uma subida controlada”, destacou.

Durante a entrevista, o secretário aprofundou a análise sobre as medidas de quarentena restritiva que o Governo Estadual adotou em diferentes regiões do estado. Para o secretário, o resultado do trabalho realizado nas últimas semanas, em conjunto com os municípios, será colhido em um futuro próximo.

“Saímos de quarentena restritiva em sete regiões do estado. Mesmo com a adesão heterogênea, isto nos deu uma possibilidade de acreditar numa diminuição da velocidade no número de novos casos. Isto já está acontecendo, já estamos praticamente no terceiro e quarto dia de estabilização no número de mortes. Houve uma diminuição do número, pequena, tênue. Isto é fruto do trabalho da quarentena restritiva”, explicou.

Leitos UTI

Desde o inicio da pandemia, o Paraná abriu 991 leitos de UTI pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Questionado sobre quais itens o governo pesa na hora de abrir novos leitos hospitalares , o secretário disse que são vários fatores colocados na balança. “É levado em conta se o hospital tem condições de ampliar os leitos, porque nós contamos com uma rede de hospitais muito robusta. Se tem equipe para ampliar. Se tem equipamentos ou se vai precisar de equipamentos”, pontuou.

Além da busca por remédios, outro desafio do governo, de acordo com o secretário, está em segurar o aumento de ocupações de leitos de UTI. Em Curitiba e RMC, se não fosse a quarentena restritiva, a ocupação seria ainda maior.

“Nesta quinta-feira (23), nós vamos abrir mais 14 leitos de UTI, no Hospital de Reabilitação. Somando todo o complexo do Hospital do Trabalhador com o de Reabilitação, nós vamos passar a ter 88 leitos de UTI, exclusivos COVID-19. Este é o maior centro de reabilitação do Paraná. Eu acredito que nós estamos conseguindo segurar a ocupação dos leitos, dentro dos leitos disponíveis, porque fizemos a quarentena”, defendeu.

Ápice

Os cuidados da população devem ser redobrados, porque, de acordo com o secretário, o Paraná ainda não chegou no ponto máximo da curva de contágio. “Estamos próximos, eu diria que temos mais três semanas duras, principalmente se o frio apertar e se a chuva também vier. Porque a umidade é um dos fatores que aumentam a possibilidade de transmissão do contágio”, alertou.

Vacinas

Questionado sobre as vacinas, Beto Preto estimou que entre seis meses e um ano, está prevista a atuação de uma vacina eficaz em todo o Paraná. Ele revelou que a Universidade Federal do Paraná, por meio do Hospital de Clínicas, vai trabalhar com, aproximadamente, 900 profissionais de saúde de todo estado, para realizar testes com as vacinas. “Estas pessoas que tem um contato próximo com o vírus, vão receber a vacina. Outras, vão receber o placebo. São 12 centros universitários que vão realizar os testes”, explicou.

Por fim, o governo do Paraná está preparado para realizar a compra das vacinas, caso seja necessário.

“Esperamos que o governo federal seja o carro chefe deste processo, compre as vacinas. Caso não seja possível, o governador Ratinho Junior já orientou um adendo a lei orçamentária, que está sendo avaliada na Alep para 2021, de fazer um esforço de compra. Este papel é do governo federal, mas mesmo assim, o governador já se adiantou e tomou a medida de pensar nisto”, fechou.

Informações da Banda B.

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