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Crise hídrica prejudica abastecimento de casas no PR

Cotidiano

27 de setembro de 2021 10:23

Da Redação


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Desde janeiro de 2019 o Paraná teve 23 dos 32 meses até agosto de chuvas abaixo da média e a previsão é que até fevereiro de 2022 não choverá acima dela. Foto: Agência O Globo
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Desde janeiro de 2019 o Paraná teve 23 dos 32 meses até agosto de chuvas abaixo da média e a previsão é que até fevereiro de 2022 não choverá acima dela 

RIO - Em três décadas de roça, dona Maria Rosa Arezi, de 63 anos, produziu de tudo um pouco — apenas orgânicos — no solo de sua propriedade em Cascavel, no Paraná. Porém, a água secou e as plantas morreram. O lago do terreno, que já teve quase 80 mil metros cúbicos cheios, sumiu após quase dois anos de chuva abaixo da média no estado. E, para o próprio sustento, a família precisou vender os equipamentos de irrigação que eram usados no trabalho.

"Ficamos com medo de ficar sem água para a casa e por isso paramos a produção. Não tem mais condições. Não tem mais água. Não tivemos outra saída, nem noção de quando a chuva vai voltar", conta.

Áreas rurais e urbanas do território nacional já sofrem com torneiras secas por conta da crise hídrica, que também deixa o país em risco de um apagão elétrico. E a seca prolongada já impacta o dia a dia de muitas famílias Brasil afora, que mudam de hábitos e até de meios de produção e renda.

A região mais atingida é a Bacia do Paraná, que abastece Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e o Distrito Federal. De acordo com relatório do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão de chuvas para a primavera — que começou na última terça-feira — não é das mais animadoras.

Segundo o relatório Prognóstico Climático da Primavera 2021, do Inmet, a região Sul tem maior probabilidade de continuar com chuvas abaixo da média histórica durante o período, quando deveria começar a estação chuvosa para recuperar os reservatórios.

No bairro Uberaba, em Curitiba, Letícia Andrade, de 23 anos, e todos os seus vizinhos tiveram que improvisar maneiras para estocar água."Não é raro a gente ficar três dias sem água, às vezes até mais. Todo mundo daqui tem galões para guardar um pouco para os dias secos" diz.

Pedro Augusto Breda Fontão, professor do Departamento de Geografia do Setor de Ciências da Terra e coordenador do Laboratório de Climatologia (Laboclima) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), diz que esse é o resultado do fenômeno La Niña, que já afetou o Sul do país em 2020. "Ele deixa as águas do oceano mais frias e isso vai causar chuva irregular, mal distribuída, com volumes abaixo do esperado e, consequentemente, não serão recuperados níveis dos reservatórios que já estão em estado crítico", afirma.

A região metropolitana de Curitiba já vive um intenso rodízio no abastecimento de água à população. Ele é suspenso por 36 horas e, depois, é liberado pelo mesmo período.

"Se um reservatório grande secar e precisar desligar algumas captações, seria um colapso. É isso que o rodízio tenta evitar",  afirma Cláudio Marchand Krüger, professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da UFPR.

Ainda segundo o relatório do Inmet, desde janeiro de 2019 o Paraná teve 23 dos 32 meses até agosto de chuvas abaixo da média e a previsão é que até fevereiro de 2022 não choverá acima dela — caracterizando uma das três maiores secas desde o início das medições, no início do século XX.

"Desde 1999 há alertas de que a população da região metropolitana de Curitiba ia crescer, o que aumentaria a demanda de novos mananciais e reservatórios, mas nenhum foi feito", diz Fontão.

Leia a notícia completa no site do Extra.

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