Renato Freitas tem mandato cassado pela segunda vez

Primeira votação da Sessão Especial foi suspensa pela desembargadora Maria Aparecida Blanco de Lima

Foram 23 votos favoráveis à cassação de Freitas, 7 votos contrários e uma abstenção
Foram 23 votos favoráveis à cassação de Freitas, 7 votos contrários e uma abstenção -

Da Redação

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A Câmara Municipal de Curitiba decidiu, em segundo turno, pela cassação do mandato do vereador Renato Freitas (PT), em julgamento realizado nesta sexta-feira (5). Foram 23 votos favoráveis à cassação de Freitas, 7 votos contrários e uma abstenção. Ao todo, 31 vereadores votaram da sessão, que teve início às 9h. O primeiro turno foi realizado nesta quinta-feira (4) e teve 23 votos a favor e 7 contra.

Esta foi a segunda vez que os vereadores foram consultados sobre o caso, já que os efeitos da votação da Sessão Especial anterior, ocorrida em junho, foram suspensos pela desembargadora Maria Aparecida Blanco de Lima, da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). Na ocasião, os representantes da Câmara Municipal também decidiram pela cassação.

Para que a cassação fosse efetivada, era preciso que a maioria absoluta dos vereadores — pelo menos 20 dos 38 parlamentares — se manifestasse favorável à cassação em dois turnos. Se isso não ocorresse, o caso seria arquivado e o vereador seguiria com o mandato. 

Julgamento de Renato Freitas (PT)

Renato Freitas afirmou, durante a sessão desta sexta-feira, que entrou na igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Centro de Curitiba, durante o ato contra o racismo no dia 5 de fevereiro, por ser cristão. “Ali é também minha casa, ali me senti a vontade e acolhido”, contou. Ele estava sendo julgado por quebra de decoro.

Freitas argumentou que não invadiu a igreja, pois o local estava aberto e praticamente vazio, contando apenas com a presença do padre e de uma senhora que o ajudava.

“Nós estávamos na igreja Nossa Senhora dos Pretos, construída por mãos negras durante o regime de Apartheid social que envergonha e marca tristemente a história do nosso país, com esse mesmo objetivo dos nossos irmãos e irmãs, dos nossos ancestrais que construíram aquela igreja, de lutar pela liberdade. E a luta pela liberdade e pela vida é sempre, e desde sempre, uma luta política”, disse.

Alguns vereadores, como Mauro Ignácio (União) e Ezequias Barros (PMB) afirmaram que tentaram conversar com Freitas, mas que o vereador quis tornar a “briga ideológica”, conforme Ignácio. “Nós não estamos tratando aqui de direita ou de esquerda, de branco contra negros e nem negros contra brancos, estamos tratando de um incidente que aconteceu em uma igreja do Lago da Ordem e que não deveria ter acontecido”. Durante sua fala, o vereador foi vaiado insistentemente por participantes da sessão, ao mencionar que era familiar de pessoas negras e que ele, Ignácio, estava sofrendo preconceito.

Barros ainda disse que Freitas agiu com “vitimismo”. “Eu vejo muito mais uma questão de vitimismo do que outra coisa, a gente vê às vezes o pessoal se vitimizando, porque vamos ser sinceros, chegar à essa casa não é fácil. […] Ninguém aqui tá feliz por este momento de ter que causar qualquer situação para você [Freitas]”, disse Barros.

Outros vereadores, como Carol Dartora (PT), por exemplo, se manifestaram em apoio a Renato Freitas. Maria Letícia (PV) também afirmou que houve “injustiça” no julgamento. “As provas estão lá e claramente não apontam o Renato como responsável. E se querem fazer Justiça, que realmente façam Justiça, e não o valor pessoal que cada um carrega consigo, que é recheado de preconceito”, defendeu.

Informações do RIC Mais