Estudante de Jornalismo retrata as ‘ruínas urbanas’ de PG

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07 de novembro de 2019 19:13

Da Redação


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Eder Carlos Wehrholdt mostra a transformação dos espaços urbanos através das imagens de ruínas

O estudante de jornalismo da UEPG, Eder Carlos Wehrholdt, emplacou o projeto ‘Ruínas Urbanas de uma Cidade Viva’ e, através de imagens, mostra a transformação dos espaços urbanos, em Ponta Grossa. A pedido do portal aRede e do Jornal da Manhã, ele disponibilizou parte de seu importante acervo fotográfico e produziu um texto explicando seus objetivos.

‘A cidade é um ser vivo, que respira e se move, que se contorce e se modifica. Pode até parecer que não, mas é só prestar atenção para ver o quanto ela muda de aspecto dia após dia.

Já é hábito minha saída para fotografar a cidade aos domingos pela manhã. Carrego a câmera, lentes e uma boa garrafa de água. Saio sem rumo e sem saber onde e o que vou fotografar. Simplesmente caminho, observo e fotografo o que chama a atenção. Às vezes é uma paisagem, uma casa, boca de lobo de onde brota uma  flor que não deveria estar ali. Uma porta, uma janela ou um detalhe qualquer.

E foi numa destas caminhadas, a poucos passos de casa, me deparei com o que restou de uma residência. Na pressa diária, nem vi que estava quase demolida. O vizinho que morara no local por mais de 50 anos, havia mudado há poucos dias e agora só restavam ruínas. Paredes sem cobertura e sem portas ou janelas. Imagino as lembranças que ali ficaram, os fatos bons e ruins, as angústias e felicidades que aquele lugar vivenciou.

Então me dei conta de que no outro lado de casa que me chamou a atenção haviam outras duas casas em situação idêntica. E caminhando mais alguns metros, mais duas destruídas pelo fogo. Mais algumas quadras outra ruína, e outra. As ruínas urbanas estavam em toda parte. Sobraram apenas detalhes tristes de um passado que espera ser substituído pelo futuro para proporcionar um novo presente.

Elas estão em todas as partes da cidade. Algumas são históricas, casas centenárias que mereciam ser preservadas, porém só restou uma parede que teima em permanecer em pé. Ao redor os prédios vão ganhando as alturas. E as ruínas urbanas permanecem silenciosas, sujeitando-se ao tempo e à natureza que aos poucos vai retomando o espaço.

Mas como elas surgiram? Por que seus restos teimam em ficam em pé? As histórias são diversas. Muitas acabam sendo parcialmente demolidas para que não sirvam de abrigo para moradores de rua. Outras ficam com suas paredes, construídas junto à divisa da frente, como um muro substituto. E outras, ainda, simplesmente foram caindo, as madeiras apodreceram ou foram aproveitadas por alguém, seus vidros viraram alvo de estilingues ou quebraram com alguma tempestade.

As ruínas urbanas são um claro demonstrativo do quanto a cidade se movimenta, contorce e respira. Elas já foram moradias ou empresas. Hoje são apenas um amontoado de restos de paredes, portas, janelas, escadas. Mas nelas continuam habitando as lembranças daqueles que ali viveram, sorriram e choraram, nasceram e morreram. E, como eles se foram, hoje ou amanhã estas ruínas também irão. A cidade precisa respirar, se mover, ganhar espaço. E os novos prédios que hoje estão sendo construídos, em alguns anos serão apenas outras ruínas urbanas.

Eder Carlos é estudante de Jornalismo na UEPG e fotógrafo da cidade. Algumas de suas fotos podem ser vistas no perfil @RetratandoPG, no Facebook

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