Crônicas dos Campos Gerais: ‘A gralha que queria ser menina’

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12 de fevereiro de 2020 12:00

Da Redação


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O texto de hoje é de autoria de Alfredo Mourão de Andrade, aposentado do Serviço Público Municipal de Ponta Grossa. Boa Leitura!


          Azulada acordou àquela manhã de outono cheia de ideias azuis. Manhã de nevoeiro nas terras do Paraná. Logo, logo, o sol mostrou sua carona brilhante, iluminando as araucárias e os Campos Gerais. Árvores gigantes de longilíneos braços abertos – querendo abraçar o sol - despertavam felizes da vida, pois as gorduchas pinhas marronzinhas, agarradas aos galhos mais altos, estavam prontas para explodir em deliciosos pinhões. Azulada grasnava... E sua cabecinha de gralha azul curiosa matutava: - “Pinhões!... Uauuuuu!... Gordinhos!... Gostosinhos!”

          Como sempre fazia, voou pelos campos ondulados a perder de vista, pelos capões de cambuís e suas frescas fontes d´água, onde a passarada se refrescava. De olho neles, a cobra d´água, que se escondia, onde também bebiam o lobo-guará, a onça pintada, o porco-do-mato, a jaguatirica...

          Um tufo de fumaça subia do Capão da Ponta Grossa, onde os últimos tropeiros tomavam perfumoso café mexido com tição de brasa, ovos mexidos, torresminho frito, virado de feijão com linguiça. – ‘Hum! Parecia delicioso!’

          Azulada parecia menina faceira naquela manhã de outono, saracoteando, bisbilhotando e cantando entre as árvores. Então se lembrou da doceira Nhá Maria, moradora do Vale do Tibagi, e seus tachos fervendo gostosuras de abóbora, marmelo, banana... – ‘Hum! É de lamber o bico!’

          A gralha de ideias azuis sonhava. Sonhava em ser uma chinoca. Vestido longo de babados – em tons de azul, é claro. Uma flor vermelha nos longos cabelos pretos. Só pra saborear aquelas gostosuras. Só pra dançar nas animadas festas de São João. E ouvir as histórias cabulosas contadas por Nhô Juca: o tesouro da Pedra Grande de Itaiacoca; Itacueretaba, a cidade que virou pedra; o fogo de Minarã que queimou quase tudo nos Campos Gerais; as casas assombradas; as visagens dos caminhos; os boitatás... Mas Tupã, o grande deus, reservou a ela outra missão: plantar a natureza do Paraná. 

          Entre idas e vindas, o sol se foi e a noite chegou. Hora de passarinho se proteger e não ficar perambulando por aí.  Mas Azulada era assim curiosa.

          E lá do alto do céu, onde brilhavam as Três Marias, Tupã divertia-se com aquela gralha tão especial, feito gente, cheia de histórias azuis.

 
Texto produzido no âmbito do projeto Crônicas dos Campos Gerais da Academia de Letras dos Campos Gerais 

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