Crônicas dos Campos Gerais: “Meu querido colégio”

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16 de setembro de 2020 10:20

Da Redação


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Sueli Fernandes é professora aposentada nascida em Ponta Grossa em 1947, e filha da escritora, trovadora e artista plástica Amalia Max. Foto: Divulgação
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Texto de autoria de Sueli Maria Buss Fernandes, professora aposentada de Ponta Grossa

Quando uma criança de dez anos de idade era somente uma criança que ainda brincava com bonecas. Bons tempos aqueles! Infantil, porém responsável, aquela menina termina o curso primário com louvor. Participa do concurso de melhor aluno da cidade daquele ano, promovido pelo Rotary. Pais orgulhosos. Valeu-lhe um guarda-roupa novo e uma viagem a São Paulo. De trem. Segunda classe. Longas horas em assento de madeira, duro como pedra. O sol nascia e dormia e a viagem prosseguia. Mesmo assim, o melhor presente do mundo! Aquele era somente o primeiro passo na avenida infinita do estudo com destino ao conhecimento e ao saber.

Nos anos despreocupados da infância, sempre brincara no parquinho da praça e admirara aquele casarão. Devia ser um colégio de gente grande! Ela era um “tiquinho” de gente. Tudo lhe parecia grande.

O Colégio Regente Feijó seria o próximo desafio de sua vida. Com o livro “Programa de Admissão” nas mãos, lançou-se ao seu primeiro vestibular, o Exame de Admissão ao ginásio! Borboletas no estômago! Trinta gotas de Maracujina! Uma sondagem de aptidões lhe aguardava. Supervisores observavam todos os movimentos das crianças. Situação inédita, nunca antes vivenciada, competição acirrada. Uma seleção que representava o início de um novo ciclo. Uma reprovação seria uma punhalada em sua personalidade perfeccionista.

Choro, ânsia de vômito, vertigens. Desatara os nós da prova escrita, porém o temido teste oral ainda estava por vir. Os examinadores postados pareciam figuras fantasmagóricas. No seu olhar aterrorizado pela ansiedade, via lençóis brancos em suas cabeças e foices cortantes em suas mãos. Mais uma dose de calmante e afinal o resultado: aprovada!

O pai, trabalhador, fechou sua oficina e esperou-a na praça. Temia o trote aos novatos. Vã preocupação. Os veteranos foram complacentes.

Blusa branca e saia azul-marinho pregueada enrolada na cintura para encurtá-la. A baliza e a fanfarra faziam o show nos desfiles cívicos.  Na calçada, ambulantes estouravam pipoca enchendo o ar com aquele cheirinho que entrava pela janela e acordava a fome de fim de tarde.

O Regente Feijó, monumento educacional público, é testemunha muda de mil histórias. Milhares de alunos passaram por seus bancos. Bem preservado em sua estrutura física, mostra caminhos para que cada um costure seu sonho e encontre o fio de sua própria história.

Texto produzido no âmbito do projeto Crônica dos Campos Gerais da Academia de Letras dos Campos Gerais.

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