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Crônicas dos Campos Gerais: ‘Criança diz cada uma’

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21 de janeiro de 2021 10:20

Da Redação


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Sueli Fernandes é professora aposentada nascida em Ponta Grossa e filha da escritora, trovadora e artista plástica Amalia Max. Foto: Divulgação
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Texto de autoria de Sueli Maria Buss Fernandes, professora aposentada de Ponta Grossa

Meu filho aprendeu a ler precocemente. Aos três anos copiava o nome do jornal O Estado do Paraná, que era lido pela família, usando letrinhas de plástico, seu brinquedo favorito. E daí para a leitura e escrita foi um pulo.

Passeávamos pela Praça da Catedral quando ele me chamou, ansioso para que eu visse algo que lhe chamara a atenção: ─ Veja, mãe! Aqui é a sede do Santos! ─ (referindo-se ao time de futebol). Aproximei-me do monumento à Bíblia, em cuja placa havia a inscrição “Sêde santos...”

Recentemente a neta de cinco anos de uma amiga foi visitá-la, mas não saiu do carro, devido ao coronavírus ainda circulante e gritou de longe: ─ Vó, não posso te abraçar porque estou “quarentada” ─. Ela transformou o substantivo em verbo e conjugou-o usando o tempo verbal adequado.

Nossa primeira reação é rir do fato, não há como evitar, mas depois abraçamos essas criaturinhas tão pequeninas e vemos o quanto são inteligentes.

Num passeio rural às margens do Alagados, as crianças estavam correndo por toda a redondeza. A bela paisagem, os campos, longe do rio, nenhum perigo de acidente, o mundo lhes pertencia. Não havia divisórias entre os terrenos e elas foram parar na garagem de um vizinho. Depararam-se com uma carreta usada para carregar barcos, leram a placa e vieram com a pergunta na ponta da língua: ─ Pai, onde fica a cidade de Reboque?

Elas ultrapassam a fase dos porquês mas continuam surpreendendo com suas perguntas desconcertantes e este é o vetor de sua aprendizagem não formal, empírica, que servirá para ampliar horizontes e prepará-las para o aprendizado acadêmico.

Os netos de uma amiga moravam em apartamento e frequentemente visitavam a avó que vivia em uma casa. A cada visita a avó lhes dizia: ─ Vão brincar lá fora! ─. Um dia perguntaram à sua mãe: ─ Onde fica o “lá fora” aqui de casa, mãe?

Parece que elas têm o Livro dos Recordes na cabeceira, pois querem saber qual é o maior do mundo, qual é o menor do mundo... Um dia, conversando sobre o maior rio, meu filho quis saber qual era o menor rio do mundo: ─ Se tem o maior deve haver o menor. Não tem como saber ─, falei. Em seguida me surpreendeu perguntando: ─ Mãe, então qual é o maior médio do mundo?

Perguntam tudo o que desejam saber pois ainda não foram atingidas pelo prejudicial freio do constrangimento, inimigo do conhecimento.

Texto produzido no âmbito do projeto Crônica dos Campos Gerais da Academia de Letras dos Campos Gerais.

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