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Crônicas dos Campos Gerais: ‘Modos de decorar o céu’

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03 de março de 2021 11:40

Da Redação


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Juliano Lima Schualtz, é estudante de História pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e militante do Coletivo Negro Ilê Aiyê, na mesma universidade. Foto: Divulgação
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Texto de autoria de Juliano Lima Schualtz, estudante de História da UEPG 


São várias as brincadeiras que ficam na memória, ora caem no

esquecimento, por vezes conjuram nostalgias, em raras vezes atualizamos no

presente. A mais uniforme era soltar pipa ou papagaio. Quem cresceu nos idos

dos anos 1990 e 2000, certamente foi um entusiasta. Brincadeira brasileira,

para não dizer universal. Para quem cresceu no interior do Paraná, certamente

pilotou vários voos.

A feitura desse artefato lúdico é manufaturada e artística. Primeiramente,

era preciso cortar o bambu para fazer as varetas e depois afiná-las e em

seguida deixá-las secarem ao sol. Feito o esqueleto da futura pipa, era hora de

encapar, normalmente utilizava-se sacola ou seda. Para a rabiola, usavam-se

as alças de várias sacolas. Por fim, o compasso ou cabresto da pipa que era

responsável pela sua decolagem primária. Assim, com bambu, sacola e fio; a

tarde entre amigos, malandragens e gargalhadas — estava garantida.

Havia lugares comuns para partilhar essa brincadeira, normalmente em

campinhos e lugares afastados da cidade e da fiação elétrica. Se a mãe ou pai

de um dos garotos o pegasse soltando na rua, a pipa era retirada ou queimada

logo em seguida. A velha legislação pela perda. Por outro lado, lá no campinho

o céu mais parecia um carnaval com vários papagaios coloridos e

transparentes caminhando entre as nuvens e aquele azul distante. Os mais

habilidosos sabiam fazer manobras com a pipa, a artimanha mais famosa era

chamada de “retão”, consistia em pressionar o fio para trás até a pipa

mergulhar em linha reta ou zigue-zagues cruzando e planando pelas velhas

cascatas celestes.

Logo de noitinha, quando as nuvens ficavam meio pardas, era o

momento de voltar para casa. Chegando no velho casebre, os pais já tinham

regressado da labuta na roça. O papagaio ficava guardado embaixo da cama.

São alguns voos da infância — quando voávamos — para citar o poeta Manoel

de Barros “fora da asa”.


Texto escrito no âmbito do projeto Crônicas dos Campos Gerais da Academia de Letras dos Campos Gerais.

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