Péricles destaca Escarpa e fala em reestruturação partidária

Ponta Grossa

18 de dezembro de 2018 20:33

Rodrigo de Souza

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Deputado ainda realiza um balanço do trabalho em Curitiba. Foto: Divulgação
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Deputado estadual abre série de entrevistas com balanço de mandato e perspectivas para o próximo ano.

A polarização e o ‘antipetismo’ durante as eleições de 2018 trouxeram resultados bastante negativos para o deputado estadual Péricles de Mello (PT) durante o pleito. Candidato à reeleição, o parlamentar não conseguiu o apoio necessário dos eleitores para permanecer na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Estreando a série de entrevistas com os deputados estaduais e federais que representam Ponta Grossa e a região – tanto os atuais quanto os eleitos –, Péricles traça os aspectos que o levaram até a derrota eleitoral.

O deputado ainda realiza um balanço do trabalho em Curitiba, destacando principalmente os últimos meses de mandato. Com um grande vitória em relação ao projeto que pretendia diminuir a área de proteção ambiental da Escarpa Devoniana, Péricles acredita que a criação de estratégias para desenvolver o espaço seja um dos maiores legados recentes do trabalho.

A articulação política para os próximos anos também entra em pauta, com a reestruturação do partido no âmbito municipal e uma possível aliança com outras legendas que fazem oposição ao governo federal.

Jornal da Manhã: O último ano foi marcado na política pela polaridade, e talvez esta seja uma das explicações para o resultado negativo de deputado nas eleições. Como foi trabalhar dentro deste cenário ao longo de 2018?

Péricles de Mello: Eu acho que uma derrota eleitoral é muito difícil. Toda derrota se dá em função de erros, e talvez eu não soube fazer uma leitura correta do momento. Nunca imaginei uma eleição como foi a última em Ponta Grossa, com um número tão grande de candidatos, com os votos ‘encolhidos’ na cidade e com tantos nomes de fora sendo votados.

Desde a eleição de 1998 fiz muitos votos na cidade – peguei mais de 20 mil. Na passada peguei 25,5 mil e, na outra, 27,5 mil. Nessa eleição, sabia que seria difícil e que havia uma polarização em relação ao PT, mas avaliava que a votação seria suficiente para a minha vitória. Meus votos fora [da cidade] foram muito próximos aos da eleição passada. A votação diminuiu muito em Ponta Grossa. Foi uma leitura errada da campanha, gastei muito tempo fora. Talvez seria diferente se tivesse realizado mais reuniões por setores. Eu sempre fui muito votado nas eleições dentro do município. É porque minha ação política foi mais localizada em Ponta Grossa e nos Campos Gerais.

Acho que foram em função destas questões que aconteceu a derrota. A população queria votar em pessoas novas. Todo mundo perdeu voto em relação à passada. No geral, acredito que foi um erro em algumas fases de mandato, porque comecei tarde a desenvolver uma ideia junto à periferia.

 

JM: O mês de janeiro será o último no mandato de deputado estadual. Como o senhor avalia o trabalho na Assembleia nos últimos quatro anos?

Péricles: Tem questões que considero muito atuais. Trabalhei com uma série de projetos, como a questão do autismo, a regulamentação das práticas integrativas de Saúde, a Cultura de pais, o Conselho Parlamentar, a questão da Escola Restaurativa. Todas elas questionam e confrontam com um lado que foi vitorioso no país, como a Escola sem Partido. Bandeiras que trabalhei foram diretamente em confronto com essa visão de mundo que foi vitoriosa. O discurso que venceu no Brasil foi o de ‘violência contra a violência’, que Direitos Humanos só protege bandido. Essa questão toda é muito atual. Criamos uma alternativa, como a Justiça Restaurativa e a Escola Restaurativa.

Outra questão que desenvolvi um pouco foi junto à periferia, apesar de achar que precisasse ter consolidado isso antes. Fiz uma aliança com a sociedade no sentido de valorizar aquilo que está à margem do sistema, como a música, a cultura e religiosidade. A esquerda, inclusive, tem dificuldade de compreender a religiosidade e ficou lendo de forma errada.

Também trabalhei ao lado do grande bode expiatório da direita, que é o servidor público. Eles falam que é o grande responsável pela crise. Existem sim alguns privilegiados, mas no geral o servidor do Executivo ganha menos e eles. Infelizmente o servidor vive sendo atacado pelo estado, mas o povo acaba dando atenção somente quando o Estado tá frágil e vê o servidor público como vilão.

São essas as bandeiras que trabalhei e vou continuar atuando mesmo sem a função de deputado, principalmente na questão da Escola Restaurativa, questão da violência, Justiça Restaurativa, questão da mulher, homofobia e minorias. São bandeiras muito atuais que a esquerda tem que desenvolver com mais força e mais intensidade.

 

JM: Outra bandeira de bastante atenção ao longo do ano foi a questão da escarpa devoniana. Que balanço o senhor faz deste trabalho?

Péricles: A Escarpa Devoniana é uma bandeira que vou me dedicar mesmo sem ser deputado. Ela tem uma potencialidade enorme para Ponta Grossa, Campos Gerais e todo o país. Com a mudança de perspectiva dos deputados, ao retirar a proposta, eles reconhecer que isso é muito importante. Nossa proposta inicial era de resistência ao projeto. Mas apesar de sermos contra [ao projeto de lei que reduzia a área de proteção ambiental da Escarpa Devoniana], ele trazia um foco, porque mesmo sem o projeto, ela já estava sendo destruída pelo simples fato de não ser utilizada da maneira correta. Então primeiro atuamos como resistência, e agora com uma proposta.

Conversei com Plauto [Miró Guimarães], Rasca [Rodrigues] e outros deputados. Vamos marcar uma audiência no último mês de mandato [janeiro] junto ao governo do Estado. A ideia é mostrar uma linha propositiva, que consiga harmonizar a proteção ambiental com desenvolvimento sustentável, gerando um novo ciclo de desenvolvimento para os campos gerais. As universidades terão um papel importante, com a de Ponta Grossa no centro desta questão.

 

JM: Então é possível dizer, pelo menos em relação aos últimos meses, que o projeto para a Escarpa Devoniana foi um dos grandes legados do mandato como deputado?

Péricles: A Escarpa ocupou uma parte muito importante. Refleti bem e hoje a conheço bem melhor. Já trabalhei com isso por alguns anos, mas amadureci muito com esse mandato. Me fez olhar com mais foco e profundidade, percebendo que é uma questão muito importante para Ponta Grossa e os Campos Gerais. Mas também existe a questão do pedágio, que fiz um relatório alternativo e denunciei o superfaturamento. Apesar de não ter os votos necessários, a questão ficou exposta. Em Jacarezinho, por exemplo, tivemos avanços importantes e que vão se concretizar ainda mais ao longo dos dias por conta deste trabalho.

 

JM: E quais as perspectivas de trabalho para o futuro? O senhor pensa em seguir na política?

Péricles: O universo político sempre foi muito cercado em Ponta Grossa. Vou continuar trabalhando com o partido, reestruturando a legenda. Estamos sem nenhum vereador e isso é um problema, talvez um reflexo foi o que aconteceu nesta eleição. A ideia é fazer uma aliança ampla, unindo os partidos que são oposição ao governo federal, como o PDT, PSOL, PC do B... mesmo com algumas divergências nestes partidos, são legendas que dialogam e talvez possam fazer uma frente em Ponta Grossa, com bandeiras opostas às que estão no poder.

A esquerda precisa fazer uma autocrítica e tem vários pensadores produzindo isso no país. É preciso interpretar o que acontecer, entender porque a população não aderiu, ver os motivos e criar uma alternativa. São estas questões estruturantes que não me conduzir às ações políticas no futuro. 

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