Lideranças da região criticam discurso de Bolsonaro

Ponta Grossa

25 de março de 2020 07:54

Da Redação


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Líderes usaram redes sociais para atacar discurso do presidente Jair Bolsonaro Foto: Divulgação/Arquivo aRede
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Depois de atacar o isolamento social em pronunciamento na TV, Bolsonaro foi chamado de irresponsável por políticos dos Campos Gerais

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro em rede nacional na noite desta terça-feira (24) gerou protestos e manifestações contrárias em grande parte dos setores da sociedade. No discurso, ele criticou o fechamento das escolas, atacou governadores e pediu o fim do isolamento social – medida orientada até mesmo pelo Ministério da Saúde do próprio governo. Instantes depois da mensagem ser veiculada, políticos que representam a região dos Campos Gerais usaram as redes sociais para criticar o presidente.

De Brasília, o deputado federal Aliel Machado (PSB) usou as palavras mais duras, classificando o pronunciamento como “mais uma fala desastrosa do presidente da República”. “No momento em que todos os líderes mundiais de diferentes partidos se unem para enfrentar essa crise e esse vírus, nosso presidente, de maneira displicente, contrariando seu próprio Ministério da Saúde, vai para a televisão desdenhar dessa crise”, atacou o parlamentar.

Além de dizer que o discurso de Bolsonaro é “inadmissível” e chamar o pronunciamento de “fala despreparada”, Aliel prometeu fazer uma transmissão ao vivo de seu gabinete nesta quarta-feira (25) para anunciar indicativos e projetos de lei elaborados pelo comitê especial para tentar minimizar os efeitos da crise.

O prefeito Marcelo Rangel (PSDB) também usou as redes sociais para defender o isolamento, sem citar necessariamente o discurso do presidente. “Os maiores especialistas do mundo falam que isso tem tempo para acabar. Por isso minha decisão convicta, porque estudei e acompanhei tudo que está acontecendo no mundo, não é decisão de pessoa leiga”, declarou, ao confirmar que todos os decretos estabelecendo fechamento de escolas, comércio e serviços não essenciais serão mantidos.

“Ponta Grossa vai se manter dessa maneira, pedindo a você: fique em casa, cuide dos seus pais, avós, filhos. Tire esses momentos para refletir. Se você é religioso, ore, reze. Se você não é, confie na ciência. Mas não exponha seus entes queridos e outras pessoas (…) Dinheiro pode ir, ficam as vidas”, acrescentou o prefeito.

Quem também se manifestou contrário ao pronunciamento do presidente e ao discurso de empresários brasileiros foi o ex-deputado estadual e provável pré-candidato à Prefeitura de Ponta Grossa, Márcio Pauliki. Em um vídeo divulgado no Instagram, o empresário lembrou que tem mais de 200 lojas fechadas e três mil famílias que dependem dos salários pagos por ele, mas voltou a pedir que as pessoas fiquem em casa e reforçou a campanha de consumir dos pequenos empresários.

Para Pauliki, o afastamento deve durar pelo menos mais 10 dias, período em que os grandes empresários ainda terão condições de se manter sem sofrer grandes prejuízos. Por isso, ele pede que a população procure os pequenos empreendedores. “Mas é fundamental que o governo anuncie medidas que ofereça segurança aos empreendedores e trabalhadores caso este tempo de reclusão se prolongue acima do esperado. E em nosso estado, há esperanças, desde que nossas autoridades tenham bom senso”, pontua o empresário.

O prefeito de Castro, Moacyr Fadel (Patriotas) também usou seu perfil pessoal no Facebook para comentar o discurso de Bolsonaro e elogiar o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, além de garantir que Castro seguirá as medidas de isolamento já adotadas. “O senhor tem uma equipe econômica muito boa. Um ministro da Justiça paranaense de peso e um ministro da Saúde que, na minha opinião, poderia ser presidente pela sua competência”, comentou o prefeito.

“(…) os relaxamentos acontecerão a partir do êxito das decisões adotadas para minimizar o impacto desta pandemia e o retorno à normalidade será feito com responsabilidade e respeito principalmente à vida humana”, escreveu Fadel, acrescentando que respeita a posição de Bolsonaro, “mas precisamos nos posicionar, e optamos pela segurança e saúde dos nossos irmãos castrenses, pelos quais tenho a responsabilidade”.

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