Gadini quer apresentar projeto da ‘Cidade Solidária’

Ponta Grossa

31 de julho de 2020 19:15

Da Redação


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Foto: Cristiano Barbosa / aRede
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Em 2016, Gadini recebeu mais de 12 mil votos na disputa pela Prefeitura. Em 2020, ele deve voltar a representar o PSOL na disputa

Dono do melhor desempenho do PSOL em uma eleição municipal em Ponta Grossa obtido em 2016, o professor Sérgio Luiz Gadini deverá disputar a eleição em 2020. Há quatro anos, Gadini viabilizou mais de 12 mil votos ao disputar o comando do Palácio da Ronda com uma campanha de poucos recursos e amplo questionamento das práticas políticas usuais. 

Em 2020, o nome de Gadini deverá ser confirmado como representante do PSOL nas urnas. Professor de carreira da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), o jornalista é doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e figura reconhecida no campo da esquerda princesina. Neste ano, Professor Gadini quer apresentar o projeto de ‘Cidade Solidária’ do PSOL. Acompanhe a sabatina abaixo ou clique aqui para assisti-la:

Jornal da Manhã: Para este ano, o seu nome está novamente concorrendo para as eleições. O senhor deve participar do pleito em novembro?

Professor Gadini: O PSOL mantém a minha indicação. Com a convicção de todo o grupo partidário. Neste ano, o nosso desafio é mostrar que somos contra o Governo Federal que vem destruindo a qualidade de vida da população e  aumentando a pobreza, ao mesmo tempo que beneficia os grandes banqueiros. Nos municípios, nós vamos apresentar opção à política que está sendo feita, dando um basta em vários desmandos em políticas públicas à nível nacional. Acredito que o PSOL vai apresentar opções para as cidades com diversas candidaturas. Essas candidaturas vão apresentar alternativas de como fazer políticas públicas sérias e comprometidas com a população. 

JM: O senhor é servidor público de carreira do Governo do Estado.  Diante do conhecimento obtido na sua carreira, como transformar as propostas de governo para os servidores?

Professor Gadini: A nossa primeira referência para 2020 é que nós vamos apresentar um projeto de uma Cidade Solidária, com muitas propostas concretas. Me sinto à vontade no PSOL porque, para nós, política não pode ser enriquecimento. Ao contrário… Política para nós é um serviço comunitário para atender a população e o serviço social. Fico muito à vontade dizer que é possível mudar a cidade de Ponta Grossa a partir de propostas concretas e viáveis. Os números da cidade nos mostram que temos 57 mil famílias no Cadastro Único [CAD-ÚNICO]. Metade da população da cidade não tem renda per capita superior a R$ 522. Isso nos mostra que a pobreza vem aumentando e os municípios têm que resolver isso. Temos propostas simples que podem contribuir. Uma delas é que eu, enquanto prefeito, abrirei mão do meu salário, já tenho meu salário como servidor público. Porque para nós a política é um serviço comunitário, poderíamos economizar apenas com isso R$ 1 milhão de reais em 4 anos. Temos ainda uma necessidade de recuperar resgatar valores fundamentais do ser humano. Acredito em uma cidade mais solidária. 

JM: Na questão partidária.... nas últimas eleições em Ponta Grossa estavam juntos os partidos de esquerda: PSTU PCdoB e até mesmo o PT. Há uma divergência de ideia entre os partidos de esquerda na cidade?

Professor Gadini: O PSOL propôs uma frente de partidos contra o Governo Federal. Até esse momento alguns desses partidos [de esquerda], optaram por manter candidaturas próprias e nós respeitamos essa decisão. Nós temos propostas bastante organizadas para a cidade e para os problemas crônicos enfrentados em Ponta Grossa. Estamos ouvindo a população para mostrar como mudar a cidade. 

JM: Como vem a chapa do PSOL para a Câmara de Vereadores? A próxima eleição terá menos vagas. Como o PSOL tem se organizado para essa disputa?

Professor Gadini: Temos uma chapa bastante consolidada e, diversos grupos e bairros da cidade. Estatisticamente vamos conseguir eleger ao menos um vereador e vamos efetivar políticas comprometidas com o interesse da população. Quando o período de campanha efetivamente começar, a gente espera que nossos pré-candidatos consigam apoio. Eles [candidatos do PSOL]  têm compromissos e experiência em suas atividades e estão à disposição do partido para esse processo de mudança que estamos querendo implementar. 

JM: As articulações partidárias ainda estão no começo. Mas o PSOL já discute algum nome para ocupar o cargo de vice?

Professor Gadini: Ainda não fechamos o nome. Isso vai ser democraticamente decidido na convenção. 

JM: A gente vê um debate das pessoas se expressando superficialmente dessa polarização direita e esquerda que se acirrou em 2018. Como você [Professor Gadini] e o PSOL veem essa questão?

Professor Gadini: Em nível nacional, infelizmente essa polarização resultou de um processo eleitoral bastante difícil que teve campanha milionárias. Isso provocou uma polarização que vem acontecendo desde o impeachment do governo Dilma. Sempre tivemos um posicionamento de críticas ao governo do PT, com inúmeras divergências, e sempre fomos críticos, mas sempre de forma tranquila, democrática. Quando ficou claro que o processo do impeachment era um processo de interesses de pequenos grupos empresariais, para defender interesses de um pequeno grupo de elite, nós fomos contrários ao impeachment. Em política é preciso discutir sempre. E essa discussão polarizada não é o ideal, devemos abrir amplamente essas discussões. Nós temos um processo muito grande de pobreza no país. O governo do PT tentou tratar do tema desigualdade, mas seguiu a mesma política que o PSDB em outros setores, como o financismo, o fato dos bancos aumentarem seus lucros dia a dia, isso é abusivo em qualquer país do mundo. O governo do PT não combateu isso.

Quem se coloca como direita é um grupo que tenta se esconder nesse desmanche de políticas públicas que beneficiam os mais pobres, os trabalhadores.  Um exemplo recentemente foi o fim do PIS/PASEP. Agora o governo prepara reforma tributária que vai beneficiar os banqueiros os grandes grupos empresariais. E o povo vai ser o grande prejudicado. Isso afeta diretamente toda a população. Temos que dizer e explicar na prática que a desigualdade vem aumentando com as propostas do Governo Federal. Todo dia é um golpe, nós precisamos mais do que polarizar entre esquerda e direita. Nós somos um partido que defende o socialismo a liberdade e a política pública através do Estado.

A Pandemia está em uma situação tensa em nosso país por causa do Governo Federal que fez descaso com a saúde. É preciso dar um basta no rumo que o Brasil está tomando. Os municípios devem ter para diminuir os índices de pobreza que vem aumentando no país a cada dia.  

JM: A economia talvez leve anos para recuperar após a pandemia. Como fazer para que Ponta Grossa passe por esse momento para voltar a crescer?

Professor Gadini: Alguns problemas são estruturais e são gerais. Devemos relacionar isso às políticas estaduais e federais. Uma empresa da região metropolitana de Curitiba recebe recursos do governo estadual e demite 750 trabalhadores, tem algo de errado nisso aí. A Prefeitura deve reassumir um papel. O papel do estado é totalmente importante nesse setor da economia. Um exemplo é o SUS [Sistema Único de Saúde] que cobre 80% da população brasileira. Uma parte de 20% ainda é mista. O SUS é a principal política pública do país para assegurar a vida dos indivíduos. Não é através de cargos comissionados que vamos resolver esse problema. São problemas estruturais que podemos reordenar. Nesse projeto que nós vamos apresentar de uma Cidade Solidária existe uma proposta de um Banco Comunitário que a Prefeitura teria a função de microcrédito para autônomos  e pequenos empresários. Existe o mito de que as grandes empresas geram grandes números de empregos. Mas isso é um mito. O que gera a economia de PG é o setor de serviço. 

Jornal da Manhã: Quais são as outras propostas do PSOL para a cidade?

Professor Gadini: Temos uma proposta de renda mínima para a cidade, chamada de Gestor Solidário. O Gestor Solidário seria um incentivo à políticas locais, buscando reduzir os indicadores de desigualdade. Vamos começar com o programa de renda mínima e vamos abrir esses indicadores para dados de indução e inclusão social às pessoas. Esse tipo de programa incentiva que os cidadãos gastem e consumam aqui dentro da cidade, no bairro e na comunidade. Algo que eu faço semanalmente é comprar da agricultura familiar. Um produto livre de agrotóxico. E ao mesmo tempo assegura distribuição de renda aos pequenos produtores, a partir de gestão pública, redes inclusivas e redirecionamento da economia. É preciso ter gestão para incluir esse número de pessoas que tem até três salários mínimos família para a economia da cidade. Devemos pensar nessas pessoas que vivem e sobrevivem no meio dessa desigualdade. A Cidade Solidária não aconteceria de um momento para outro, mas a Prefeitura tem uma missão de auxiliar a população e não enriquecer poucos. São 50 propostas para mudar a cidade de Ponta Grossa e que vão afetar diretamente a vida das pessoas aqui no município.  

JM: Como resolver o problema do Transporte Público e nos demais contratos de PG?

Professor Gadini: Não temos estrutura de fiscalização destes contratos. Os três grandes contratos precisam ser editados, fiscalizados e revistos. Sem uma estrutura de fiscalização isso não é possível.  Já no caso do transporte público... enfim esse contrato terminará após 20 anos. Sem estrutura de fiscalização a `Prefeitura deixa a população a mercê desses contratos. Defendemos que se contrate por concurso público e não por cargos comissionados. Vamos fiscalizar os serviços essenciais e assim cobrar a aplicação dos contratos. Sem fiscalização não adianta nada, fiscalização é o eixo central para esses três contratos. Nós temos um bom diagnóstico e uma coisa que eu mais me relaciono é transporte público. Precisamos rever esse sistema viciado do transporte coletivo de Ponta Grossa. 

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