Orçamento superior a R$ 1 bilhão acirra disputa em PG

Ponta Grossa

13 de novembro de 2020 21:28

Fernando Rogala


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Orçamento do município atingiu a marca de R$ 1 bilhão já para 2020 Foto: Otto Drone
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Mabel Canto, Marcio Pauliki, Professora Elizabeth, Professor Edson e Professor Gadini disputam Executivo de uma das maiores cidades do país


Administrar uma prefeitura com um orçamento de mais de R$ 1 bilhão, a quarta cidade mais populosa do Estado, com 355 mil habitantes, e com um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 14,5 bilhões, a 13ª maior economia do Sul do Brasil. Este é o desafio do próximo prefeito de Ponta Grossa, que vai comandar o Poder Executivo da ‘Princesa dos Campos’ por quatro anos, até o final de 2024. A cadeira será ocupada por um novo nome, afinal, Marcelo Rangel (PSDB), atual prefeito, ocupa seu segundo mandato e encerra seu ciclo atual dentro de algumas semanas. Estão na disputa Mabel Canto (PSC), Marcio Pauliki (Solidariedade), Professora Elizabeth (PSD), Professor Edson (PT) e Professor Gadini (PSOL).

Deputada Estadual eleita em 2018, Mabel Canto, filha do ex-prefeito Jocelito Canto, tenta sua primeira eleição municipal. Ela forma dupla com o vereador Pietro Arnaud (PSB), e tem na sua coligação, a “Ponta Grossa em primeiro lugar”, os partidos PSC, Podemos, PSB, Cidadania, PDT e PP. Outro desafiante é Marcio Pauliki, empresário, ex-deputado Estadual, que disputa a prefeitura pela segunda vez. Pauliki aliou-se com Ricardo Zampieri (Republicanos), e também conta com apoio dos partidos PTB, PSL, PL, PROS, PRTB, PTC, DEM e Patriota, junto Solidariedade e Republicanos, na chapa “União de forças por Ponta Grossa”. 

A professora Elizabeth Schmidt, atual vice-prefeita, é a candidata apoiada pelo atual governo. Como vice, ela terá Capitão Saulo, também do PSD, e tem na coligação “Somos todos Ponta Grossa” o apoio do PV, Avante e PSDB. Pelo Partido dos Trabalhadores, professor Edson Armando Silva tenta a prefeitura pela primeira vez, junto do pastor João Carlos, seu vice, do PC do B. A coligação “Ponta Grossa: Uma cidade para você” tem só esses dois partidos, PT e PC do B. Já o professor universitário Sérgio Luiz Gadini se candidata pela segunda vez, e agora tem como vice o também professor, Lineu Kieras, compondo uma chapa pura do PSOL.

A eleição também é o fim de um ciclo de oito anos do governo Marcelo Rangel (2013-2020), também sucedido por um duplo mandato, o de Pedro Wosgrau Filho (2005-2012). Rangel afirma sair orgulhoso das conquistas obtidas nestes últimos anos, especialmente pelo ciclo industrial vivido pelo município, que tornou a cidade um polo ainda maior, que impulsionou o desenvolvimento da cidade. “Fico honrado por ter contribuído com nesse ciclo de industrialização, o maior da nossa geração. Vieram multinacionais, e grandes indústrias que estavam aqui dobraram, triplicaram a capacidade”, disse o Prefeito, completando com os reflexos disso. “Agora, ninguém segura a cidade de Ponta Grossa mais. Pela base construída, pelas conquistas que alcançamos, Ponta Grossa voltará, em breve, à segunda posição no Paraná em arrecadação, em produtividade, em prosperidade”, relatou Rangel. 


Orçamento de Ponta Grossa quase dobrou desde 2013

O orçamento de Ponta Grossa em 2020 é de R$ 1,043 bilhão. Esse é um valor que cresceu quase 100% desde 2013, quando tal valor era de R$ 527 milhões. O secretário municipal de Fazenda, Claudio Grokoviski, ressalta que, nestes oito anos, alguns fatores foram essenciais para esse expressivo crescimento. “Se comprar com qualquer indicativo da economia, como PIB, IPCA, sabemos que em 8 anos não cresceu isso. Tivemos a crise entre 2014 e 2016, e depois a greve do transporte, mas o motivador desse alto crescimento foi o ciclo de industrialização pelo qual o município passou, que aumentou a arrecadação, e não podemos deixar de mencionar o projeto de justiça fiscal iniciado em 2017, trabalhando para aumentar a receita própria”, informou. No período, as receitas próprias cresceram acima das de transferência constitucionais, como o IPTU (alta de arrecadação de 87% no período), ITBI (que cresceu 60%) e ISSQN (que liderou na alta, com crescimento de 93% desde 2013).


Nova gestão municipal terá inúmeros desafios

Quem for eleito, precisará gerir, com sua equipe, e junto aos próximos vereadores, uma prefeitura com um orçamento acima de R$ 1 bilhão. Embora pareça um valor alto, o secretário municipal de Fazenda, Claudio Grokoviski, alerta que a demanda é intensa e irá requerer muito planejamento do próximo gestor. “Temos demanda muito grandes em saúde, educação e infraestrutura, e precisamos de um orçamento maior. Para isso, precisamos de receitas maiores, e isso não se cria, se conquista”, alerta. Do orçamento, por normas constitucionais, pelo menos 15% deve ser investido em saúde e 25% em educação.

Claudio também ressalta que o próximo prefeito terá inúmeros desafios pela frente, especialmente com os precatórios (R$ 185 milhões em dívidas) e saúde. “O primeiro desafio é como manter pagamento de precatórios e encargos sociais em dia. A dívida, que vem de 30 anos, é grande e cresce ano a ano, e tem que ser paga até 2024 – e é direito do credor receber. Outra dificuldade é manter os serviços de saúde oferecidos à população. Temos a UPA 24h, e mais uma UPA que será inaugurada, então todo esse atendimento de saúde consome muito recurso”, relata. O próximo prefeito deverá pagar, todo mês, R$ 3,8 milhões para quitar os precatórios. Claudio ainda lembra a folha de pagamento, que hoje consome 50,7% do orçamento. “Vai ser preciso a continuidade de uma gestão eficiente, com enxugamento da máquina pública, para reduzir o gasto público”, completa.

Além de tudo, o próximo prefeito terá uma dívida de quase meio bilhão. “A dívida é de R$ 478 milhões, que corresponde a 45% do orçamento. Em 2012, a dívida correspondia a 50,5% do orçamento, ou seja, o orçamento aumentou mais que ela, e a capacidade de pagamento cresceu”, explica o secretário. Porém, conclui afirmando que o próximo prefeito não terá nenhuma surpresa com dívidas extras por atrasos. “Vamos entregar com o 13º pago, folha de dezembro e férias dos professores pagos, assim como todos os encargos em dia. E os parcelamentos de precatórios, e pagamentos de INSS, FGTS, Copel, todos em dia”, conclui.

 

Lideranças alertam sobre cuidados e necessidades

Lideranças dos setores produtivos de Ponta Grossa destacam algumas áreas que demandarão de cuidados específicos do próximo líder do Executivo, para que a cidade possa potencializar seu crescimento. Sandra Queiroz, Diretora de Responsabilidade Social da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), alerta que o próximo prefeito deverá cuidar da questão econômica da cidade e demandará de uma reestruturação da administração.  “Será preciso adequar a cidade às questões econômicas, com a Lei de Responsabilidade Fiscal e fazer uma reestruturação da administração municipal. Porque saúde e educação só vão bem por consequência de uma saúde financeira boa. Se não tiver saúde financeira boa, não teremos aspiração nenhuma”, relata.

Já o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Ponta Grossa e Região (Sindilojas), e vice-presidente da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio), José Loureiro, destaca a necessidade de algum projeto para o aperfeiçoamento de empresas locais do comércio, para ingressarem ou melhorarem sua atuação no e-commerce. E, como secretário de Indústria, Comércio e Qualificação Profissional, menciona o Distrito Industrial. “Hoje não temos mais áreas para doação; o que há são 14 áreas em processo judicial para retomada. Vamos receber essas áreas, mas não sabemos quando será liberado. Então será preciso, junto ao governo, fazer de tudo para conquistar as empresas, oferecendo mais vantagens”, acrescentou Loureiro. Para encerrar, menciona a ampliação do aeroporto, que ficará para o próximo gestor, bem como a necessidade de ampliar as parcerias e investimentos para qualificação profissional, para que o preenchimento das vagas da Agência do Trabalhador tenha um aproveitamento maior.


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