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Farmacêuticos são contra ‘kit-covid’ em Ponta Grossa

Ponta Grossa

25 de março de 2021 17:30

Rodolpho Bowens


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ASPONFAR citou órgãos de saúde que não recomendam a aplicação de um tratamento precoce contra a covid. Foto: Denny Cesare
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Portal aRede teve acesso exclusivo ao documento, o qual afirma que é necessária condutas baseadas em evidências científicas em saúde

A Associação Pontagrossense de Farmacêuticos (ASPONFAR) se manifestou contrária ao Projeto de Lei 35/2021, o qual fala sobre a “disponibilização gratuita de kits de medicamentos para o tratamento precoce da covid-19 na rede SUS do Município de Ponta Grossa, durante o período de pandemia”. A nota de posicionamento e esclarecimento é assinada pelo presidente da Associação, Josyel Olszewski, e pelo vice-presidente, Raylan Golinski.

De acordo com o documento encaminhado exclusivamente para o Portal aRede, a ASPONFAR “apoia as condutas baseadas em evidências científicas em saúde e reprova veementemente a publicação, divulgação e/ou compartilhamento de informações falsas (fake News), sejam elas veiculadas e defendidas por representantes de quaisquer espectros políticos ou até mesmo profissionais de saúde”, diz um trecho do texto.

Segundo o vice-presidente, a ASPONFAR não poderia ficar calada diante dos fatos recentes que buscam aplicar um possível tratamento precoce na cidade de Ponta Grossa. “Como representamos a Associação de Farmacêuticos de nossa cidade, não podemos nos manter calados diante de projetos que visem utilizar recursos públicos oriundos da nossa população em alguma estratégia que não tenha eficácia ou segurança”, explica Golinski.

Confira abaixo o documento na íntegra:

“A ASPONFAR manifesta total contrariedade ao Projeto de Lei Municipal 35/2021, o qual dispõe sobre a disponibilização gratuita de kits de medicamentos para o ‘tratamento precoce’ da COVID-19 na rede SUS do município de Ponta Grossa.

A ASPONFAR apoia as condutas baseadas em evidências científicas em saúde e reprova veementemente a publicação, divulgação e/ou compartilhamento de informações falsas (fake News), sejam elas veiculadas e defendidas por representantes de quaisquer espectros políticos ou até mesmo profissionais de saúde.

Até o momento da divulgação dessa nota, a OMS (Organização Mundial da Saúde), a FDA (Food and Drug Administration – EUA), o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças – EUA) e a EMA (Agência Europeia de Medicamentos) não recomendam o uso de nenhum medicamento preventivo ou precoce para COVID-19.

No Brasil, a SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), a AMB (Associação Médica Brasileira), o CFF (Conselho Federal de Farmácia) e a ANVISA já emitiram comunicados, esclarecimentos e notas técnicas informando que as melhores evidências científicas demonstram que nenhum medicamento tem eficácia na prevenção ou no ‘tratamento precoce’ para a COVID-19.

A ASPONFAR reconhece a soberania do profissional prescritor na avaliação da evolução da doença, porém aconselha que os profissionais se atentem às recomendações das agências reguladoras e, principalmente, à posologia e dosagem correta dos medicamentos, lembrando que é dever e direito do profissional Farmacêutico orientar o paciente e entrar em contato com o profissional prescritor para eventuais dúvidas e questionamentos sobre a prescrição.

É importante reforçar que gostaríamos que houvesse, de verdade, um tratamento preventivo ou ‘precoce’ seguro, eficaz, barato e de amplo acesso para a população, para que fosse possível combatermos esta pandemia que assola nossa cidade, estado e nação. Porém, a realidade é que apesar dos esforços de muitos pesquisadores comprometidos com o desenvolvimento de novos tratamentos, a única e mais eficaz forma de contermos esta pandemia é a vacinação mais ampla e rápida para a população. Somando-se as vacinas as medidas de suporte e atendimento adequados aos pacientes, juntamente com os deveres individuais e coletivos de contenção de transmissão (uso de máscaras, higienização das mãos, distanciamento social e afastamento e isolamento de sintomáticos) poderemos vencer esta batalha e salvar as vidas de familiares e amigos que nos são tão caras.

Expressamos nossa solidariedade àqueles que perderam seus entes queridos e, também, todo nosso carinho, respeito e admiração pelos profissionais de saúde, sobretudo aos nossos colegas Farmacêuticos, os quais, ainda que poucas vezes lembrados, continuam arduamente lutando, sem parar um dia sequer durante todo este período tenebroso. A estes a nossa gratidão e reconhecimento.

Diante do exposto, a nossa solicitação é de que:

- todos os esforços dos entes e representantes públicos municipais sejam unânimes em direção à possível aquisição e garantia de acesso às vacinas para toda a população de Ponta Grossa.

- havendo restrições ou impedimentos legais para que os recursos públicos municipais sejam utilizados para a aquisição de vacinas contra a COVID-19, que estes recursos sejam destinados para as medidas reconhecidas cientificamente como eficazes para a manutenção e fortalecimento dos serviços de saúde de Ponta Grossa, como: aquisição de equipamentos de proteção individual, equipamentos e materiais de suporte (respiradores, monitores multiparamétricos, entre outros) e medicamentos utilizados para intubação (bloqueadores neuromusculares, sedativos e analgésicos)”.

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