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Restos mortais são de Cauane; família de PG está chocada

Garota desapareceu em janeiro deste ano. Ossos foram liberados nesta terça-feira (20), pelo IML

Cauane Zavolski Martins, 20, estava desaparecida desde o dia 29 de janeiro
Cauane Zavolski Martins, 20, estava desaparecida desde o dia 29 de janeiro -

Da Redação

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O Instituto Médico Legal de Ponta Grossa confirmou na manhã desta terça-feira (20), que a ossada encontrada em março deste ano é de Cauane Zavolski Martins, 20, que estava desaparecida desde o dia 29 de janeiro. Os restos mortais foram liberados à família. A expectativa, agora, fica por conta da liberação do laudo cadavérico para a confirmação da causa da morte.

“Estamos no IML para pegar a guia de retirada dos restos mortais e a gente vai ao Serviço Funerário para que seja recebida na capela”, comentou o cunhado Márcio José Mainardes. O velório está previsto para acontecer entre 15h e 16h. O enterro será no Cemitério Santo Antonio. ‘Vamos poder fazer um enterro digno da moça e isso vai trazer um pouco de paz para a família”, comentou.

Relembre o caso

Este caso chocou Ponta Grossa. Segundo disse o delegado Fernando Jasinski, da 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa, a jovem “teria embarcado em um veículo e poucas horas depois teria feito a última ligação para a família e, então, nunca mais foi vista. Constatou-se, que, em verdade, Cauane teria ido até um apartamento de um dos envolvidos, localizado na região de Uvaranas. No curso das investigações, recebeu-se informação de que Cauane teria supostamente se suicidado com a arma de um dos envolvidos e estes, então, teriam ocultado o corpo”, disse o delegado.

“Também, no curso das investigações, foram recebidas denúncias relacionadas a outros crimes praticados pelos mesmos suspeitos, ocasião em que a Polícia Civil, por intermédio do Delegado que preside as investigações, representou pela busca e apreensão em uma residência localizada em um condomínio na região do bairro Boa Vista”, complementou.

“Após célere deferimento pelo Poder Judiciário, localizou-se os dois suspeitos na residência, verificando-se durante a busca a presença de um guarda-roupa desmontado em que em um das portas foi observado um orifício compatível com disparo de arma de fogo, orifício que teria sido tampado com uma massa corrida. No endereço, ainda, foi localizado  e apreendido o veículo que Cauane teria embarcado pela última vez que fora vista”, relata o delegado da 13ª SDP.

No apartamento em que Cauane poderia estar, a Polícia Civil encontrou grande quantidade de drogas, além de ter sido constatado um furo na parede, compatível com disparo de arma de fogo, o qual havia sido tampado com massa corrida.

“O veículo que Cauane teria embarcado foi periciado, constatando-se, também, a presença de sangue. Ante o exposto, os suspeitos foram autuados em flagrante pela prática de tráfico de drogas, assim como sua prisão foi convertida em prisão preventiva. Os suspeitos continuam presos preventivamente pela prática de tráfico de drogas. A Polícia Civil segue com as investigações muito avançadas para apurar os fatos que podem, configurar, o crime de homicídio e ocultação de cadáver”, finaliza o delegado Fernando Jasinski.

Justiça libera acusados da morte

Em decisão publicada no dia 28 de abril, o juiz Gilberto Romero Perioto, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Ponta Grossa, colocou em liberdade os dois rapazes presos pela Polícia Civil, em fevereiro deste ano, suspeitos de envolvimento na morte de Cauane Zavolski Martins. Na sentença, o magistrado julgou "improcedente a denúncia para o fim de absolver da prática dos fatos contra a eles imputados e expediu alvarás de soltura". As informações são do advogado Luis Carlos Simionato Junior, que atuou neste processo ao lado do advogado Piero Mocelim.

Comentando sobre a decisão judicial, Simionato ressalta que o Ministério Público requereu a anulação da decisão que expediu o mandado de busca e apreensão, bem como da prisão em flagrante delito e das demais provas colhidas derivadas dos referidos atos, por considerar improcedente as denúncias. O Portal aRede teve acesso aos atos da Promotoria.

Thiago Saldanha Macorati, Promotor de Justiça, ressalta que, “considerando a prova oral colhida, bem como os demais elementos probatórios acostado nos autos, verifica-se que a expedição do mandado de busca e apreensão, bem como a condução dos denunciados e a prisão em flagrante apresentam-se eivadas de vícios, ou seja, são nulas, pois não haviam fundadas razões que sustentassem a expedição do mandado e, mesmo que houvesse, no endereço apontado no Condomínio Terra Nova, não foi localizado nada de ilícito naquele local e nem situações criminosas que fundasse a condução dos réus até a Delegacia de Polícia”.

Ainda, conforme o MP, existiriam diversas lacunas sobre a obtenção dos endereços, a condução dos denunciados sem fundadas razões, bem como o mandado de busca e apreensão expedido de modo genérico, pois se baseou em denúncias anônimas exclusivamente, sem que quaisquer diligências posteriores fossem realizadas a fim de apurar as informações obtidas que reforçassem a presunção de crime nos locais.

Ademais, segundo o representante do MP, deve ser “destacado que todos os elementos colhidos após a expedição do mandado de busca e apreensão e da prisão em flagrante que apresentam vícios de nulidade pois são ilícitas, estão contaminados e devem ser desentranhado dos autos. Na sentença judicial, Perioto determinou a destruição da substância ilícita apreendida. Quanto aos celulares e boletos apreendidos, devem ser restituídos aos réus, caso haja interesse”.

Causa da morte

Em conversa com o Portal aRede, o cunhado de Cauane também explicou as dificuldades para que o laudo de sua morte venha com 100% de precisão. "Pelas condições que foi achado os restos mortais da Cauane, será bem dificultoso dar um laudo preciso do que aconteceu. As pessoas que ceifaram a vida dela, eles ainda cometeram atrocidade de atear fogo no cadáver dela, acelerando o processo de decomposição. Depois, enterraram em uma cova rasa, onde animais silvestres que habitam o local onde ela tinha sido enterrada, acabaram se alimentando, por muito tempo, de partes dos restos mortais. Então, será bem difícil de, com precisão, sair um laudo exato", comenta.

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