Coluna Fragmentos: A Igreja São José | aRede
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Coluna Fragmentos: A Igreja São José

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Em 19 de julho de 1962, o JM publicou matéria a respeito da Igreja São José
Em 19 de julho de 1962, o JM publicou matéria a respeito da Igreja São José -

João Gabriel Vieira

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É comum encontrar referencias entre os historiadores de que a colonização do território brasileiro só foi possível a partir do processo de cristianização. Desde a chegada dos europeus, a Igreja Católica teve papel determinante na mediação das relações entre colonizadores e colonizados, assumindo um papel francamente favorável aos primeiros. Institucionalmente, a Igreja gozou de privilégios inquestionáveis durante os três séculos coloniais, estendendo tal condição, pelo menos, durante o decorrer do Império (no século XIX). 

A importância da Igreja nos tempos coloniais foi traduzida materialmente na produção de símbolos e na construção de templos nas zonas rurais, nas vilas e cidades brasileiras. Por exemplo: quando Tomé de Souza, primeiro Governador Geral do Brasil, aportou na colônia (1549), se deparou com um enorme cruzeiro erguido pelos padres baianos, evidenciando a posse do território e também a consagração deste ao cristianismo. Além das cruzes, a construção de centenas de santuários, capelas e igrejas durante o período colonial, correspondeu a confirmação da hegemonia católica-cristã no Brasil, servindo como marcos referenciais da conquista do território e da reafirmação da ordem social escravocrata instituída a partir da chegada europeia. 

A edificação de templos definiu o padrão de urbanização da maioria das vilas e cidades coloniais brasileiras. É possível afirmar que ocorreu uma predominância do sagrado nos espaços urbanos coloniais uma vez que por todos os lados se encontravam capelas, ícones, oratórios e outros elementos típicos da simbologia cristã. Além do valor arquitetônico, tais espaços e construções representavam um dos traços mais expressivos da presença europeia na América: a fé cristã. É certo que tais aspectos não foram encontrados apenas nas cidades brasileiras e sim em praticamente todos os lugares onde predominou o cristianismo durante os séculos coloniais, mas no Brasil tal característica foi bastante acentuada. 

No caso de Ponta Grossa, a formação de nosso núcleo urbano se estruturou exatamente em torno de uma rústica capela de madeira a qual, praticamente um século depois de sua edificação, seria reconstruída e elevada à condição de Matriz de Sant´Ana. O clássico registro imagético produzido pelo francês Jean Baptiste Debret quando de sua passagem pelos Campos Gerais, em 1827, não deixa dúvidas: o tímido vilarejo que se converteria na principal cidade da região nasceu ao redor da igreja. A lenda das pombinhas, durante muitas décadas disseminada no imaginário coletivo local, há tempos perdeu força nos livros e nas aulas de história. Em seu lugar se consolidou a explicação de que os colonizadores da região, obedecendo a princípio geográficos, decidiram erigir uma capela em louvor à Senhora de Sant´Ana, reproduzindo por aqui um padrão comum ao processo de formação dos núcleos urbanos brasileiros.

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A igreja São José

A segunda Paróquia de Ponta Grossa – São José – foi fundada em 1935 devido ao crescimento físico e populacional da cidade. Ela nasceu do desmembramento da Paróquia de Sant´Ana e a construção do seu templo demorou mais de cinco anos para ser concluída, ficando pronta em maio de 1941. Totalmente construída em pedra, a igreja São José foi inicialmente administrada pelos padres redentoristas, passando posteriormente aos diocesanos. Desde a década de 1960 essa Paróquia se tornou um modelo para as demais paróquias da Diocese pelo desenvolvimento de projetos pastorais e de diferentes ações envolvendo a comunidade.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 22 de maio de 2011.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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