PR deverá produzir mais de 36 milhões de toneladas de grãos

Agronegócio

23 de outubro de 2019 18:40

Agência Estadual de Notícias


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É quase um milhão de toneladas de cereais a mais produzidos no Estado, segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, relativo ao mês de outubro Foto: Reprodução/Agência de Notícias do Paraná
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É quase um milhão de toneladas de cereais a mais produzidos no Estado, segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, relativo ao mês de outubro

Com a colheita dos cereais de inverno praticamente concluída, a safra de grãos 2018/19 no Paraná está sendo encerrada com um total estimado de 36,3 milhões de toneladas, volume 3% acima da safra anterior (17/18) que atingiu 35,4 milhões. É quase um milhão de toneladas de cereais a mais produzidos no Estado, segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, relativo ao mês de outubro.

A safra de grãos de verão (2019/20), que está sendo plantada, poderá chegar a 23,4 milhões de toneladas, sendo que o cultivo de soja representa 90% da área plantada nesta época do ano no Estado. A safra de grãos de verão poderá ser 19% maior em relação à safra passada, que foi de 19,6 milhões de toneladas.

Segundo o diretor do Deral, Salatiel Turra, essa safra 19/20 começa com um potencial de 4 milhões de toneladas a mais, por causa da possibilidade de recuperação da soja, que quebrou no ano passado devido à seca, quando foram perdidas mais de 3,5 milhões de toneladas.

Para a safra de grãos de verão deste ano, a seca volta a ser uma preocupação, disse Turra. Sem chuvas regulares desde o início de setembro, as regiões Norte, Oeste, Noroeste e Norte Pioneiro estão sofrendo com a estiagem. De acordo com o Deral, a situação hídrica já foi normalizada nas regiões Central e Sul do Estado. O plantio da safra de verão começa a sofrer atrasos por conta da seca, mas há tempo para recuperação, salientou.

Turra diz que por enquanto o sinal é amarelo para o plantio de soja. “Há preocupação com o cenário climático que ainda está incerto”, afirmou.


SOJA 

O plantio de soja da safra 2019/20 foi feito em 45% da área estimada de 5,5 milhões de hectares, porém está um pouco atrasado em relação ao ritmo de plantio de anos anteriores. O período da soja no Paraná vai até 31 de dezembro, então há tempo para recuperação, informou o analista Edmar Gervásio, do Deral.

Em condições normais de clima, o Deral estima um volume de 19,8 milhões de toneladas para a safra de soja, que representa um incremento de 23% sobre a soja da safra passada (2018/19) que atingiu volume de 16,1 milhões de toneladas. A safra anterior foi prejudicada pela seca.

Segundo Gervásio, as últimas chuvas beneficiaram mais as lavouras das regiões Sudoeste e Sul. Já na região Oeste, grande produtora de soja, ocorreram chuvas, mas elas foram insuficientes e o solo voltou a ficar seco. Apenas 18% da área prevista na região foi plantada. A preocupação é que o período para o plantio começa a ficar restrito no Oeste.

Se chover no Oeste, a soja ainda pode ser plantada. Agronomicamente, é recomendável para o desenvolvimento da planta. Porém, se for considerado o sistema de produção, que inclui o plantio do milho safrinha, pode haver comprometimento, salientou Gervásio.

Isso porque, segundo ele, o plantio tardio da soja certamente vai comprometer o do milho safrinha da safra 2020 na região, que é bastante significativo para a produção estadual. Quando a soja é plantada mais tarde, a colheita também é tardia, o que vai prorrogar o período de plantio do milho safrinha na região, que está sujeito a ser atingido por geadas no ano que vem.

Enfim, salientou Gervásio, no Paraná os períodos de plantio são praticamente cronometrados para proporcionar o máximo de rendimento com a sucessão de safras.

O atraso mais significativo no cultivo da soja está na região Norte, que planta mais tarde, portanto tem mais tempo para recuperação.


MILHO

A área plantada com milho nesta época do ano é pequena. Ao longo dos últimos anos, o milho de primeira safra vem perdendo espaço para a soja, que compensa mais financeiramente aos produtores.

Segundo o Deral, serão 338 mil hectares plantados este ano, que dará uma redução de 6% sobre a área ocupada no ano passado, que atingiu 360 mil hectares. A produção da safra 2019/20 deve atingir um volume de 3,1 milhões de toneladas, praticamente repetindo a produção do ano passado que foi de 3,15 milhões de toneladas.

Os mesmos aspectos climáticos que atingem a soja também impactam no plantio de milho da primeira safra, disse Gervásio. Mas o impacto sobre a cultura é menor porque 70% do plantio de milho da primeira safra se concentra nos núcleos de Curitiba, Ponta Grossa e Guarapuava, onde o clima não foi tão irregular como nas demais áreas. Com isso, 90% da área prevista com milho da primeira safra já foi plantada.

Uma característica importante no plantio de milho da primeira safra é que a cultura se tornou uma produção de nicho. São produtores mais especializados, com uso de mais tecnologia e de alta produtividade nas lavouras.


FEIJÃO

A primeira safra de feijão no Paraná está com 84% da área plantada, superando o ritmo de plantio do ano passado. A cultura não foi afetada pelo clima seco porque 90% do plantio se concentra na região Sul, onde as condições hídricas no solo estão regulares.

Segundo o Deral, este ano serão plantados 152.500 hectares, área 6% inferior ao igual período do ano passado, que atingiu 162.300 hectares. A estimativa de produção é de 305,2 mil toneladas, volume 24% acima do ano anterior, quando a safra tingiu 247,1 mil toneladas.

O engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Alberto Salvador, afirma que as condições de desenvolvimento do feijão da primeira safra são boas, mantendo as expectativas de uma boa colheita, ficando ainda o Paraná como líder nacional de produção do grão.

Salvador destacou que o desafio da cadeia produtiva do feijão é aumentar o consumo, que diminui ano a ano por causa de novos hábitos da população. Com isso, a produção também vai reduzindo, disse.


TRIGO

O trigo da safra 2019 está com 82% da área já colhida. A seca acelerou o ritmo de colheita. Segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho, este é o terceiro ano seguido de safra de trigo ruim no Estado e este ano a safra será a menor dos últimos anos, com uma quebra de 34% em relação ao potencial. A expectativa de produção foi rebaixada para 2,2 milhões de toneladas, bastante inferior ao ano passado, também afetado pela seca, cujo volume foi de 2,8 milhões de toneladas. O prejuízo estimado aos produtores é de aproximadamente de R$ 50 milhões.

A safra deste ano foi atingida por dois eventos climáticos prejudiciais ao desenvolvimento das plantas. Foram as geadas nas lavouras mais precoces, que afetaram as regiões Oeste, Centro-Oeste e Sudoeste. E posteriormente a seca que atingiu essas mesmas regiões, e também o trigo plantado na região Norte.

Atualmente, a colheita está ocorrendo nas regiões Sul e Sudeste, onde as lavouras são plantadas mais tardiamente e que estão com uma condição mais razoável de desenvolvimento. Será a parte da safra que terá mais produtividade e qualidade, salientou Godinho.


MANDIOCA

A área plantada com mandioca no Estado na safra 2019/20 será de 134,6 mil hectares, praticamente repetindo a área da safra passada. A produção estimada pelo Deral é de 3,3 milhões de toneladas, volume cerca de 3% acima do não passado, quando foram colhidas 3,2 milhões de toneladas.

De acordo com o economista Methodio Groxko, o clima seco está afetando o plantio da safra nova. “O plantio não está atrasado, porém começam a aparecer dificuldades na emergência das plantas por falta de chuvas”, disse.

Segundo Groxko, agora as atividades são simultâneas entre a colheita da safra anterior e plantio da nova safra de mandioca. Assim como o clima seco está prejudicando o desenvolvimento da safra nova, também está prejudicando o arranquio da raiz, por causa do solo seco.


CEVADA

A cevada é um cereal de inverno que começa a ganhar importância no Paraná devido ao sistema de produção integrada, cuja comercialização é garantida pelas cooperativas e indústrias cervejeiras, com demanda acima da produção

A área plantada nesta safra deve atingir 60,3 mil hectares, 8% acima do ano passado, quando ocupou 55,7 mil hectares. A produção estimada pelo Deral é de 244,3 mil toneladas, volume 11% maior que no ano passado quando foi de 220 mil toneladas.

Segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Rogerio Nogueira, a cevada plantada em 2019 está sendo colhida, com plantio feito em 13% da área ocupada. O ritmo de colheita está mais avançado em Ponta Grossa, onde 50% da área plantada já foi colhida e está em boas condições. Na região de Guarapuava, as primeiras lavouras colhidas demonstram que a cultura foi afetada pela seca, devendo apresentar uma retração regional.

Nogueira diz que a produtividade média de cevada no Paraná e de 4 mil quilos por hectare, sendo que há propriedades com rendimento de até 7 mil quilos por hectare na região de Guarapuava. A produção da região de Guarapuava já está toda vendida para a cooperativa Agrária do distrito de Entre Rios.

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